O Papa: Promover a Comunicação Inspirada na Verdade e no Respeito pela Dignidade Humana

Mensagem de Leão XIV, assinada pelo cardeal Parolin, aos participantes do Congresso Mundial da SIGNIS, que se realiza em Kigali, Ruanda, pela primeira vez. O Pontífice exorta os profissionais da mídia a contribuírem “para uma cultura que reflita os valores da comunhão, da paz e da proteção do ambiente”. Prefeito Ruffini: “Nunca permitir que os algoritmos escrevam a nossa história. A grande inovação não será uma máquina mais inteligente, mas uma maneira mais humana de comunicar.” – Salvatore Cernuzio – Vatican News

O Papa Leão XIV enviou uma mensagem, nesta terça-feira (04/08), aos participantes do Congresso Mundial da Associação Católica Mundial para a Comunicação (SIGNIS) em andamento em Kigali, capital de Ruanda.

Realizado de 3 a 8 de agosto, este é um evento histórico para a SIGNIS, pois é a primeira vez que o Congresso Mundial se realiza em solo africano. Kigali recebe mais de 300 profissionais provenientes de 100 países, reunidos para refletir sobre o tema: “Comunicação Digital para a harmonia cultural e o bem-estar ambiental”. O foco são os desafios da mídia contemporânea, o uso ético das tecnologias digitais e da Inteligência Artificial.

“Verdade e respeito pela dignidade humana: dois valores, dois princípios que orientam e inspiram estratégias e instrumentos de comunicação.” O Papa os indica em sua mensagem aos participantes do Congresso Mundial da SIGNIS que reúne profissionais dos meios de comunicação católicos de todo o mundo.

Novo impulso para as plataformas de comunicação

Estes são os temas já explorados por Leão XIV em sua encíclica Magnifica Humanitas, que o próprio Papa cita na mensagem aos participantes, assinada pelo secretário de Estado Vaticano, cardeal Pietro Parolin, e lida no início do dia pelo núncio apostólico em Ruanda, dom Arnaldo Sanchez Catalan. Na mensagem, o Pontífice expressa, em primeiro lugar, a esperança de que os trabalhos em Kigali “contribuam para dar um novo impulso às plataformas de comunicação na promoção do bem comum da família humana”, especialmente nesta época “frequentemente chamada de era digital”, em que grande parte da vida é “impulsionada pela tecnologia digital e pela internet”.

Uma cultura de comunhão, paz e proteção do ambiente

O Papa cita então a Magnifica Humanitas, que afirma que “a comunicação online não é apenas a transmissão de informações, mas a criação de uma cultura”, uma vez que “tem o poder de moldar o modo como as pessoas percebem o mundo” e, consequentemente, “influencia profundamente a consciência coletiva”. Nessa perspectiva, o Papa espera que os participantes do Congresso Mundial da SIGNIS de 2026 procurem “identificar formas de promover estratégias e instrumentos de comunicação inspirados na busca da verdade e no respeito pela dignidade humana”. Isso ajuda a edificar “uma cultura que reflita os valores evangélicos de comunhão, da paz e da proteção do ambiente”.

Olhando uns para os outros

Imediatamente após a leitura da mensagem papal, uma mensagem de vídeo do prefeito do Dicastério para a Comunicação, Paolo Ruffini, foi projetada no salão do Hotel Sainte Famille — onde se realiza o evento. Ele expressou sua gratidão por encontros como este da SIGNIS, que “nos lembram de algo que nosso mundo digital muitas vezes esquece: que a comunicação não começa com a tecnologia, mas com as pessoas”.

O prefeito deteve-se particularmente neste ponto, analisando os acontecimentos atuais, estes “tempos difíceis” marcados por “guerras, polarização, desinformação e crescente desconfiança”. São também tempos em que, pela primeira vez, temos instrumentos “poderosos” disponíveis para nos conectarmos uns com os outros. “No entanto, uma simples conexão digital não é o mesmo que uma relação baseada na comunhão”, disse Ruffini. “Olhar-se através de uma tela não é exatamente a mesma coisa que apertar a mão e sentir o calor de uma presença.”

O vírus do isolamento e da fragmentação

Em paralelo com a crescente conectividade, “o vírus do isolamento, da fragmentação e da falsa intimidade, moldada por algoritmos em vez de encontros reais”, também cresceu. “Um like digital não é o mesmo que um sorriso presencial”, enfatizou o prefeito. E é por isso que a missão dos comunicadores católicos, chamados a construir confiança e demonstrar que “outra forma de comunicação é possível”, torna-se crucial.

É claro que a tecnologia é indispensável, e a Inteligência Artificial continuará transformando nossas sociedades de maneira extraordinária. Em sua essência, porém, reside uma questão simples, mas crucial: “Que tipo de seres humanos escolhemos nos tornar ao usá-la?” “Isso depende de nós”, disse Paolo Ruffini. “A IA sabe calcular. Pode organizar informações. Pode nos ajudar. Pode até imitar a linguagem. Mas não pode substituir a verdadeira sabedoria, que nasce da liberdade, da experiência pessoal, da responsabilidade e, acima de tudo, do amor.”

Ser e permanecer os autores de nossa história

Portanto, “nunca devemos permitir que os algoritmos escrevam nossa história. Somos e devemos permanecer seus autores.” Como afirmaram o Papa Francisco e, posteriormente, o Papa Leão XIV, “somos chamados a salvaguardar a pessoa humana, a preservar vozes e rostos humanos.” Isso não significa “conservá-los em um museu”, mas sim “cuidar ativamente deles, cultivar o pensamento crítico, preservar espaços para o diálogo e garantir que a tecnologia permaneça sempre a serviço da pessoa humana.” É uma tarefa árdua, e para realizá-la é necessária “uma rede global para valorizar e apoiar boas formas de comunicação e uma informação confiável”. Ao mesmo tempo — e os Papas sempre reiteraram isso — há necessidade de empreendedores e engenheiros de informação “corajosos” para “moldar um ecossistema global de comunicação digital melhor”.

A serviço da verdade e não do lucro

A SIGNIS pode desempenhar um papel essencial nessa missão. “A SIGNIS nunca deve ser uma burocracia eclesiástica, mas uma rede de pessoas, uma rede de profissionais que compartilham a mesma fé”, afirmou Ruffini. “A SIGNIS deve ser um espaço onde se estabeleçam relações de confiança, se compartilhem informações verdadeiras e se planejem iniciativas de qualidade”. Portanto, uma comunidade na qual possa tomar forma “o sonho de um ecossistema comunicativo diferente” e onde as diversidades se transformem em diálogo, onde a discordância não destrua a fraternidade e onde se possa imaginar “um modelo econômico de comunicação diferente”. Sempre “a serviço da verdade” e nunca a serviço da “maximização dos lucros” ou do “mero consenso”.

O prefeito do Dicastério para a Comunicação incentivou a “construir pontes”, “promover encontros” e “dar espaço aos rostos e às vozes humanas num mundo cada vez mais digital”. Pois a grande inovação a ser oferecida às sociedades não será “uma máquina mais inteligente”, mas “uma maneira mais humana de comunicar”.

Fonte:  www.news.va  (Rede Oficial do Vaticano)

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