Dom Fernando recebe visita de babaloxirás na Cúria Metropolitana
“Participei no auditório da Cúria, em setembro, do Fórum da Diversidade Religiosa em Pernambuco, e encontrei aí um espaço para uma discussão amigável com o arcebispo, trazendo alguns representantes das casas de matriz africana e afro-brasileira que vêm sofrendo atos de intolerância religiosa”, explicou o diácono Carlos.
Pai Iguaracy contou a dom Fernando os momentos de terror vividos em seu terreiro, no bairro de Cidade Tabajara, em Olinda, durante homenagem ao orixá Oxum, em setembro. “Quatro homens chegaram em motos e começaram a atirar em nossa casa, depois apontaram armas para as cabeças dos frequentadores, inclusive crianças e idosos, enquanto promoviam a destruição dos símbolos sagrados do terreiro”, contou o babalorixá. “Por não saber exatamente a religião dessas pessoas intolerantes, é preciso conversar com todas as lideranças, não para pedir ou exigir punições, mas para nos unirmos em prol da justiça e do respeito”, finalizou.
O arcebispo repudiou as manifestações de intolerância religiosa e externou seu apoio e concordância às relações respeitosas entre grupos religiosos diferentes. “O olhar cristão não compactua com atitudes de violência ou falta de respeito às pessoas”, comentou o arcebispo. “A mídia tem divulgado episódios como esse em todo o país, especialmente contra os cultos de matriz africana, e a Igreja Católica está atenta aos fatos, disposta e atuante no combate a essas manifestações”, completou.
A disposição da Arquidiocese em promover o entendimento entre religiões diferentes gerou, há cinco anos, a Comissão Arquidiocesana de Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso, que participa e promove fóruns de discussão sobre o assunto. “A comissão arquidiocesana de Justiça e Paz também fará acompanhamento das questões envolvendo intolerância religiosa no território da Arquidiocese, que envolve 19 municípios, zelando com caridade e respeito por nossos irmãos”, disse dom Fernando.
Após a reunião, Pai Ivon expressou sua satisfação em participar da conversa. “Estava um pouco reticente, sem saber o que esperar, mas senti a solidariedade de dom Fernando em suas palavras”, comentou o babalorixá, que contou admirar as figuras de dom Helder Camara e do papa Francisco. “O mundo precisa de pessoas como eles”, concluiu.
Fonte: www.arquidioceseolindarecife.org

