Pastoral da Acolhida: Tempo para despertar

Acolher, ser acolhido, ensinar e aprender tudo o que podemos sobre o acolhimento como um movimento de encontro significativo entre pessoas.

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Não é incrível como o termo: “acolhida” se revestiu de grande força nos dias de hoje? Nessa enorme mobilidade em que vivemos e interagimos nas festas familiares, cursos, eventos, passeios e até, em nossos encontros comunitários de expressão de fé, ao que parece, acolher, promover o acolhimento, investir em treinamento de relações interpessoais, desenvolver novas habilidades que capacitem para gerar bem-estar em qualquer contexto de convivência, tem se tornado o alvo central de toda a busca por encontros humanos mais significativos.

O teólogo suíço Renold J. Blank destacou um desejo muito forte do homem urbano pós-moderno. Diz Blank: “O homem urbano, na maioria dos casos, nem quer voltar a tal vida bucólica (rural). O que ele quer, e precisa, é achar um caminho para encontrar o seu sentido de vida dentro das novas estruturas urbanas” . Será que o contexto de nossas comunidades eclesiais e os novos locais de encontros religiosos, enquanto novas estruturas urbanas, por meio da “Pastoral da Acolhida” podem favorecer o encontro com sentido da vida?

A verdade é que nos encontramos diante da seguinte realidade: acolher, ser acolhido, ensinar e aprender tudo o que podemos sobre o acolhimento como um movimento de encontro significativo entre pessoas, se tornou uma necessidade de sobrevivência e de manutenção relacional saudável em todas as dimensões de nossas vidas. E, a “Pastoral da Acolhida”, deve se empenhar nessa tarefa.

O termo “pastoral” é tomado aqui em seu conceito dinâmico como sendo um “prolongamento dos braços de Jesus de Nazaré” que se autorevela também como “bom pastor” (Jo 10,11). E esse “bom pastor” nos garante que, como “bom pastor dá a vida por suas ovelhas” (Jo 10, 12). Portanto, o termo “pastoral” – conforme a antropologia de Jesus de Nazaré no Evangelho de João expressa claramente a postura de uma pessoa que é um ser-que-crê-poder-fazer-algo-por-alguém , ou seja, um ser que tem uma missão sublime: o de oferecer a si mesmo, o de dar a si mesmo, descrito por João como “dar a vida” por “suas ovelhas”. E “suas ovelhas” quem são? São aqueles e aquelas que “conhecem” o pastor (Jesus), assim como Pai (Deus) “o conhece” (Jo 10,14-15). As “ovelhas” são aquelas do aprisco de Jesus (todas as denominações da tradição judaico-cristã) e também aquelas que o próprio Jesus afirma ter: “…Tenho também outras ovelhas que não são deste aprisco. Também elas eu devo conduzir; elas ouvirão a minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor” (Jo 10, 16).

Esta sabedoria bíblica de João se revela como absolutamente inclusiva, aberta e acolhedora e como uma ordem de reconhecer em todos os “diferentes”, os “anormais”, os “esquisitos”, incluindo também aqueles que são “aparentemente estranhos e rebeldes”, como ovelhas do bom pastor. “Ovelha” ou “ovelhas” que também possuem a capacidade de ouvir esse “bom pastor” que atua nos promotores da pastoral da acolhida, seja por envio recebido no ministério comunitário ou por exercício de um dom recebido do Espírito (1Cor 12,4-11).

Os gestores paroquiais no exercício da liderança mediadora que exercem nas comunidades, são vistos e esperados pelos fiéis como promotores naturais de acolhida, a exemplo de mandato de Jesus como descrito por Marcos: “Então Jesus se sentou, chamou os Doze e disse: “Se alguém quer ser o primeiro, deverá ser o último, e ser aquele que serve a todos”. Depois Jesus pegou uma criança e colocou-a no meio deles. Abraçou a criança e disse: “Quem receber em meu nome uma destas crianças, estará recebendo a mim. E quem me receber, não estará recebendo a mim, mas àquele que me enviou” (Mc 9, 36-37).

Os agentes da pastoral da acolhida podem desenvolver estratégias mediadoras para atender essa importante necessidade de acolhimento saudável. Gestores e Agentes devem se lembrar de que “ninguém sai ileso de um encontro com outra pessoa: pois, a outra pessoa leva algo de nós e levamos algo desta pessoa” . O casal de terapeutas relacionais: Clara e Márcio Miranda nos recordam também de que toda “pessoa é, em grande parte, resultado das relações interpessoais que estabeleceu e vem estabelecendo ao longo da vida” elemento este, que os promotores de acolhida pastoral devem estar vigilantes. Uma vez que “há sempre uma relação de causa e efeito acontecendo entre duas (ou mais) pessoas”, acolher bem no contexto pastoral, religioso e litúrgico se apresenta como prática importante, delicada e que deve ser exercida num cálido espírito de gentileza. Levando em conta que nunca conseguimos saber previamente como “esses efeitos (do encontro humano) podem ser para melhor ou para pior, construtivos ou destrutivos, para uma das partes ou para ambas”, o melhor a fazer é o que nos ensinou o jovem Francisco de Assis, um dos maiores mestres na arte da acolhida: “pois é dando que se recebe…”. Certo é que, “esses efeitos são marcantes quando uma pessoa é considerada significativa – ou seja, aquela que tem maior influência sobre a outra devido ao papel social que desempenha”.

Muitos Agentes da Pastoral da Acolhida, de vez em quando afirmam: as pessoas de hoje não querem saber de religião e de compromissos comunitários, por isso, vamos continuar com nosso jeito de sempre. Isto é um engano! Blank também demonstrou isso quando afirmou: “O homem da técno-metrópole não rejeita a religião, bem pelo contrário! O que ele rejeito são as coerções de todos os sistemas, que vão além daqueles aos quais já é obrigado a se submeter por causa das exigências estruturais de sua vida”. E, isto lembra o que Pedro afirmava para sua comunidade de fé: “… Pratiquem a hospitalidade uns com os outros, sem murmurar. Cada um viva de acordo com a graça recebida e coloquem-se a serviço dos outros, como bons administradores das muitas formas da graça que Deus concedeu a vocês. Quem fala, seja porta-voz de Deus; quem se dedica ao serviço, faça com as forças que Deus lhe dá, a fim de que em tudo Deus seja glorificado por meio de Jesus Cristo, ao qual pertencem a glória e o poder para sempre. Amém!” (1 Pd 4, 10-11).

 

Fonte: Catholicus

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