O Fenômeno da Conversão Forçada

O fenômeno da conversão forçada

A questão dos sequestros e a conversão religiosa forçada é uma chave dolorosa e uma ferida aberta na sociedade de hoje.
– Silvonei José – Cidade do Vaticano

Nem sempre a mídia internacional se ocupa desse grande problema, mas isso não significa que ele não exista ou que não seja importante: estamos falando das conversões forçadas ao Islã e dos direitos das minorias em várias partes do mundo. Chama a atenção nesta semana uma iniciativa da Fundação de Direito Pontifício Ajuda à Igreja que Sofre que promoveu uma coletiva de imprensa em Karachi, Paquistão, para denunciar abusos e violências, em particular no confronto de hindus e cristãos.

É urgente chamar a atenção para o fenômeno dramático das conversões forçadas. Este foi o objetivo da coletiva de imprensa que a advogada católica paquistanesa Tabassum Yousaf realizou na última quinta-feira, dia 8 de agosto, em Karachi, junto com a Fundação “Ajuda à Igreja que Sofre”. Todos os anos, pelo menos mil de nossas jovens são sequestradas, estupradas, forçadas a se converter ao Islã e obrigadas a se casar com seus torturadores, denuncia Yousaf em um comunicado.

A coletiva realizou-se também por ocasião do Dia das Minorias, que tem lugar neste dia 11 de agosto no Paquistão, e pretende, de fato, aprofundar o tema das medidas que no Paquistão poderiam permitir não só a proteção das minorias, mas também o seu desenvolvimento. “Nossos jovens não têm acesso a uma educação adequada e, portanto, são penalizados também na busca de um  emprego”, disse Yousaf, que com a colaboração do cardeal Coutts e líderes de diferentes religiões, elaborou uma resolução em 10 pontos para a promoção das minorias que foi assinada pelos participantes da coletiva.

No primeiro ponto da resolução apela-se para que a idade mínima para o casamento seja fixada em 18 anos, enquanto no ponto 9 pedem-se tutelas jurídicas contra sequestros e conversões forçadas que não são permitidas pela própria religião islâmica. Pedem um ministro federal para as minorias, uma lacuna ainda não preenchida pela morte de Shahbaz Bhatti em 2011. Apela-se ainda à comunidade internacional e em particular ao Ocidente, para que deem voz à exigência de justiça e de direitos que provém das minorias do Paquistão, como faz desde sempre Ajuda à Igreja que Sofre. Um agradecimento que vai também ao Papa Francisco em nome dos cristãos do país, pela proximidade na oração e por sua voz em nome daqueles que não tem voz.

Já o advogado cristão paquistanês de 38 anos, Sardar Mushtaq Gill, ativista dos direitos humanos, também defende os cristãos perseguidos naquele país. Nesta semana o jornal vaticano L’Osservatore Romano publicou uma extensa entrevista com ele. “A vida das minorias religiosas no Paquistão é marcada pela violência, discriminação, abuso dos direitos humanos fundamentais, denuncia o advogado”. (…) “O Governo deveria ter plena consciência deste fato e agir em conformidade, a fim de proteger os cidadãos paquistaneses não muçulmanos e promover o Estado de direito, a justiça e a liberdade”. Segundo o advogado na entrevista a violência contra os cristãos e os episódios de intolerância estão em ascensão no Paquistão e muitas famílias hoje sofrem somente por causa da sua fé.

O Dia dedicado às minorias celebrado neste domingo, dia 11, serve, portanto, precisamente para recordar que os cidadãos cristãos, hindus e os cidadãos de outras religiões no Paquistão não são cidadãos de segunda classe, não devem ser discriminados ou, no pior dos casos, perseguidos impunemente, mas – disse Gill -, “têm os mesmos direitos e deveres, devem gozar de igualdade de oportunidades e viver uma vida pacífica no país, em nome da liberdade, da justiça e da prosperidade”.

Por isso é preciso também do apoio das organizações internacionais, assim como de uma investigação da ONU que possa esclarecer a situação, respondendo às preocupações sobre a falta de respeito pela liberdade religiosa.

Recordam-se ainda as vidas de pessoas inocentes que definham no corredores da morte nas prisões paquistanesas: aqueles que falsamente acusados com base na conhecida lei da blasfêmia – que pune o desrespeito ao Islã ou o profeta Maomé -, “estão atravessando um longo calvário judiciário” com a prisão, perda dos seus empregos e casas ou a obrigação de viver escondidos para escapar às execuções sumárias. Entre os casos mais recentes de utilização indevida da lei da blasfêmia, recorda-se o dos cônjuges cristãos Shafqat Emmanuel e Shagufta Kausar, condenados à morte em 2014 sob a acusação de terem enviado mensagens blasfemas através do celular.

A questão dos sequestros e a conversão religiosa forçada é uma chave dolorosa e uma ferida aberta na sociedade paquistanesa. É preciso, “para conter seriamente o grave fenômeno, – disse o advogado -,  promulgar uma lei federal anti-conversão que proteja explicitamente a liberdade de consciência e de fé e puna qualquer abuso”.

Sobre o respeito da proteção das minorias, a voz da Comissão de Justiça e Paz dos Bispos católicos do Paquistão também se elevou, pedindo ao governo medidas urgentes. Por sua vez, as minorias religiosas não devem se fechar nem proceder separadamente na sociedade, uma vez que são parte integrante da mesma. Eles dão uma “preciosa contribuição ao país”.

É necessário continuar deixar ligado os holofotes sobre a difícil condição em que vivem as minorias.

Cristãos e hindus são verdadeiros patriotas, que amam e estão dispostos a dar a vida pela sua nação. Todos são chamados a trabalhar juntos para a prosperidade do país. Um pensamento que deve envolver toda a sociedade paquistanesa.

Click no áudio e escute a transmissão desta notícia feita pela Rádio Vaticano em língua portuguesa.

Fonte: www.news.va (Official Vatican Network)